As zonas mortas

Por Leandro Leite 27 de janeiro de 2012 Editar postagem
Boa sexta, Hunters. Hoje um ensaio sobre as zonas mortas, lugares tenebrosos que serão a fonte de lendas por muitas décadas após a queda e a ressurreição da sociedade humana. As zonas mortas serão o cadáver dos grandes aglomerados urbanos, manchas no território que nem mesmo nós ou nossos filhos e netos conseguirão apagar. Mesmo se restabelecermos as comunicações, a ordem social e até mesmo o governo alguns locais do globo permanecerão perpetuamente fora do nosso alcance.

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Sem dúvida a humanidade nunca se recuperará completamente do caos, mas poderá escapar da extinção se, a maioria de nós, mostrarmos a capacidade necessária para sobreviver. E isso tem grandes chances de acontecer. Entretanto algumas coisas se perderão para sempre e talvez a nossa geração nunca chegue a recuperá-las. As armas de destruição em massa podem ser uma delas. E por que a perda de napalm e outras bombas de grande poder de destruição merecem ser mencionadas? Porque apenas elas vão poder nos ajudar em algumas ocasiões.

Alguns centros urbanos têm uma aglomeração tão grande de pessoas que vai ser inevitável que a praga zumbi se espalhe muito depressa. Imagine milhões de pessoas em um pequeno espaço, muitas vezes em condições subumanas, sem acesso à saúde e higiene adequadas. Esses grandes aglomerados em poucos dias serão ninhos de zumbis, milhões deles perambulando por vielas e infestando casas a procura de comida. E ninguém terá munição suficiente para limpar um lugar assim, mesmo que cada bala acerte cada cabeça (e não podemos garantir que isso vá acontecer). Por isso esses centros urbanos serão inexpugnáveis pelos meios comuns. O máximo que poderemos fazer é passar uma cerca a uma distância segura do centro, colocar enormes placas de aviso e deixar esses territórios proibidos lacrados para sempre.

Locais assim exigiriam uma limpeza massiva por meio de explosivos e não seria seguro mandar pessoas a pé para fazer o serviço, seria suicídio na verdade. A única saída seria um bombardeio em massa nos locais para garantir a eficiência e segurança do plano, mas quem pilotaria bombardeiro? Quem manejaria as bombas? Quem arquitetaria tal plano? Difícil dizer, mas a resposta que me vem à mente é “ninguém”.

Devo lembrar que a reestruturação da sociedade a tal ponto aconteceria décadas após a primeira infecção. Muitos anos após o grande Hunter fundar a primeira cidade e acabar com a vida de nômade/saqueador de seus seguidores. E muitos anos além disso, quando esses sobreviventes limparem as usinas produtoras de energia e religarem a rede de abastecimento. Ainda muitos anos depois, na décima cerimônia para lembrar a morte do grande Hunter quando a sociedade estiver estabelecida com a agricultura e pecuária plenamente desenvolvida, quando os mortos forem empurrados para longe desse grupo de cidades/fortalezas. Nessa época a vida será estável o bastante para garantir que eles pensem em expandir e retomar o mundo da mão dos mortos. E nesse período o que encontrarão nos hangares militares serão apenas montes de metal empoeirado e com a graxa seca. Quem vai saber desmontar uma avião militar e fazer a manutenção adequada? Uma tecnologia perdida para sempre.

Nunca ignore esse aviso.
Por isso Hunters as zonas mortas sempre existirão, estarão ali marcadas de vermelho em nossos mapas, as mulheres contarão estórias sobre os homens que foram até lá e nunca mais voltaram. Os homens temerão que um dia a cerca se quebre e destinarão boa parte de seus recursos para sua manutenção. E quais serão as zonas mortas? Se nada mudar, Hunter, nós teremos de lidar com pelo menos uma delas em cada país. Grandes conjuntos de favelas estão espalhados por todo o globo e no meio do caos podemos esperar que não recebam a devida atenção, sendo alvo fácil para os mortos.

 Grandes capitais também podem se tornar lugares desolados, lar dos mortos. A principal delas seria Tóquio, a capital do Japão. Apesar de estar situada em uma ilha essa grande cidade não estaria longe de ser infectada também. A globalização fez com que o tráfego de pessoas entre países abrisse uma brecha para a infecção globalizada no apocalipse e Tóquio não demoraria a cair. O grande problema é que existem mais de 35 milhões de pessoas na Grande Tóquio, em um espaço de terra proporcionalmente pequeno.

Sem falar que o Japão é uma ilha cujo território é em boa parte cadeia montanhosa. As pessoas inevitavelmente estariam em contato umas com as outras e por mais que o povo japonês seja organizado para catástrofes nada os protegeria de uma epidemia zumbi. E logo toda a ilha japonesa seria uma grande zona morta. Os navios não chegariam mais até lá, não haveria mais quem pilotasse os aviões e todos os que pudessem escapar o fariam deixando milhares pra trás, que não durariam muito. Por isso o Japão não é um país que tem chances de sobreviver ao apocalipse, e pior, será uma ilha conhecida por ser a ilha dos mortos.

Então, Hunters lembrem-se de que algum dia a sociedade até pode se reerguer, mas os mortos nunca vão nos abandonar. Vocês conhecem algum outro lugar que se tornaria zona morta?
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Leandro Leite, universitário, tentando entender como o mundo funciona e como se incluir nele com eficiência. Interessado por nerdismo desde que me entendo por gente, sempre curioso. Acredito que conhecimento nunca é demais.Saiba mais...
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